Escada Abaixo

Ser paulista não é fácil, mas também não chega a ser ruim. Hoje estava vivendo um dia comum, enfrentado calor, ar seco, poluição, correndo pra resolver várias coisas e lutando para não chegar atrasada a um compromisso, o que significa dizer que estava correndo ainda mais para sair com antecedência e poder enfrentar nosso querido trânsito parado com alguma serenidade. Para completar eu, como uma típica paulistana moro empoleirada e hoje, por causa de uma manutenção, ainda tive que enfrentar lentidão de elevador. Não tive dúvida, disparei escada abaixo. Mas não é que me diverti?! Descer os 15 andares bem na hora do almoço foi uma inspiração gastronômica. Senti tudo que é cheiro!
Primeiro passei por um andar que fazia algo judaico, não sei bem o que podia ser... veio a imagem de uma mesa cheia de comidas, a família reunida e meu avô sorridente. Como gostava daquele pão docinho,o chalá, mas detestava o também docinho bolinho de peixe, o tal gefilte fish, que hoje adoro! É engraçado como podemos passar a infância odiando algumas comidas e de um dia pro outro começarmos a gostar, não é? Depois pensei num prato de kasha, outro de varenikes, lembrei da bureka da tia Bia e dos deliciosos arenques que fazemos em casa, hummm que delícia!
Mas o cheiro de algo asiático tirou essas idéias da minha cabeça e me deu mais água na boca. Imaginei que pudessem estar fazendo um stir fry com molho de peixe, shoyo e muitos legumes. Não, talvez fosse um daqueles espetinhos nipônicos, as robatas... Aos 6 anos minha mãe já me carregava para o bairro da Liberdade atrás de restaurantes japoneses e lembro exatamente desse cheiro... É isso mesmo, isso é cheiro de molho teriyaki! Pronto! A culinária asiática inteira passou a se exibir na minha mente... adoraria devorar um pote inteiro daquela sopa tailandesa de camarão com curry ou comer um rolinho vietnamita embrulhado numa folha de alface com hortelã!
A descida continuou e passei a sentir cheiro de fritura, o cheiro foi aumentando mas não conseguia identificar o que estava sendo frito... ao me aproximar do andar onde mora uma família de origem árabe supus que fosse cheiro de quibe frito. Não tenho certeza, mas comecei a viajar... Lembrei do programa de domingo da minha infância: passeio no centro, feirinha onde a gente podia comprar bichinhos de vidro e almoço no Almanara. Tabule, quibe cru, esfiha, kafta no espeto e baklava de sobremesa, como é bom!
Parecia que o próximo cheiro vinha da minha imaginação que ficou parada no doce árabe, mas não, era real. Era doce, meio caramelizado, manteiga, maçã, definitivamente uma torta de maçã. Agora não sei se uma apple pie ou uma tarte tatin, talvez a primeira porque tem um americano no prédio e francês não tem...
Enfim cheguei! Minha viagem gastronômica sem sair do meu próprio prédio já ia terminando enquanto eu pensava que ficou faltando um cheiro bem italiano, como o vinho evaporando no preparo de um risoto, ou o aroma do tomate cozinhando num molho... Em compensação, antes de chegar na garagem ainda senti o cheiro de feijão temperado com bastante alho sendo preparado e dessa vez também ouvi um som familiar, o da panela de pressão a todo vapor!

Creme de Tomate

Tired Chef's Creme deTomate:

300g de tomate
10g de manteiga
1/2 cebola pequena, cortada grosseiramente
1 dente de alho amassado
1 folha de louro
2 talos de manjericão
50 ml de creme de leite fresco
Folhas de manjericão para decorar
Sal e Pimenta do reino a gosto

Tirar a pele e as sementes dos tomates, cortar em pedaços grandes e processar para fazer um coulis. Numa panela refogar a cebola na manteiga, acrescentar o alho, o louro e os talos de manjericão. Juntar o coulis e deixar cozinhar por 15 minutos. Passar por um chinois (peneira também serve), voltar à panela, juntar o creme e colocar para ferver, mexendo bem. Deixar ferver, temperar e retirar do fogo. Decorar com as folhas de manjericão, um pouco de pimenta do reino e creme de leite batido em forma de coração.

The Tired Chef


Being a chef I got used to the question: What do you cook for yourself, what do you eat at home? To be honest a lot of the times I’m exhausted, my body is sore and I’m tired of being in the kitchen dealing with food. So after a day of work I do whatever is fastest, simplest and cleanest as possible with the ingredients I have. What does it mean? First it has to be fast because if I got to the point that I’m considering cooking just for myself is because I probably haven't eaten all day and am starving. It has to be simple because being tired and hungry I don’t feel like thinking too much. It has to be easy and fast to clean up because I don’t want to spend much time washing utensils and hate to leave the kitchen dirty for the next day. So mixing all the stuff in the pan becomes a favorite. But, of course, everything starts with what’s available in my kitchen. Often that means eggs, some vegetables, some fruits, basic staples, flavoring ingredients like Worcestershire sauce and oyster sauce, spices and some herbs. Besides that I buy other sources of protein on a daily bases and sometimes special ingredients. In the end it’s not restaurant stuff but it’s pretty good. I was thinking that probably a lot of people feel like me, they just come home tired, wanting to do practical but decent meals. Right? So I decided to assume my tiredness and share my lazy meals in the section that I’m calling The Tired Chef. Hope you enjoy!

The Tired Chef´s Red Wine Steak:

Bought: a piece of filet mignon and 100g of mushrooms (shiitake).

Had: 1 garlic clove, 5 sprigs of thyme, ½ cup (opened in the refrigerator) red wine, 2 tbsp canola oil, 1 tbsp butter.

Did: Heated a saute pan and added a stream of canola oil. Seasoned the meat with salt and pepper and added to the pan. When browned I turned the meat and added the mushrooms (whole, just took the steams off), garlic (crushed) and thyme. When the meat was brown and almost done I added the wine, let the alcohol evaporate, turned the heat off and added the butter. Delicious!

Ate: With a salad because I was on a low carbohydrate diet!

Focaccia com Pesto de Nozes

A minha receita de pesto de nozes com queijo de cabra para cobrir a focaccia é deliciosa! Qualquer um pode fazer, basta comprar a focaccia, misturar os ingredientes do pesto e passar no pão. Depois espalhar as bolinhas de queijo de cabra por cima, colocar no forno pra dar uma gratinada e servir com uma salada.
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Ingredientes para 2 focaccias redondinhas:
1 xícara de nozes picadas
3 colheres de sopa de parmesão ralado
1 pitada de alho
1 maço pequeno de manjericão picado
Azeite (quantidade necessária para dar liga)
Sal e pimenta a gosto
10 bolinhas de queijo de cabra (aquele que vem no azeite)

Pão

Preciso confessar que fazer pão é o meu ponto fraco, culinariamente falando. Fui uma boa aluna e me dei particularmente bem no módulo de confeitaria até chegar a hora de fazer pães. Nas primeiras tentativas meus pães não cresceram como deveriam e por isso a profesora resolveu que ficaria ao meu lado o tempo todo durante o segundo dia pra ver o que eu estava fazendo errado. Cuidamos de tudo, medidas, temperatura da água, manipulação corretas, enfim tudo e mesmo assim o pão não cresceu direito de novo. A professora não entendia e abanava a cabeça. Eu, super decepcionada, concluí que o fermento não gostava de mim e pronto. Traumatizada, nunca mais tentei fazer nada que levasse fermento, acredita? Até ontem, porque agora decidi que vou fazer uma focaccia do zero.

Minha focaccia até que ficou boa, mas não ótima como eu gostaria, apesar da receita maravilhosa que aprendi com um chef uruguaio. Descobri porque meu fermento não cresce tanto quanto deveria e o pão fica um pouco mais pesado: não amasso com força suficiente.
Tenho orgulho de ser mulher, acho que as mulheres podem fazer tudo e fazem muitas coisas melhor que os homens, então não vou falar que tem que ser homem pra fazer um bom pão... mas que tem que ter aquela mão mais pesada e uma certa força para amassar o pão que nem macho, tem! Taí uma coisa que eu não tenho... mas como também não gosto de fazer coisas razoáveis vou ver se melhoro isso malhando mais!

Ingrediente para a focaccia:
50g de fermento fresco
1 kg de farinha
50 ml de água morna
1 colher de sopa de açúcar
20g de sal
20 ml de azeite (aproximadamente)

Modo de preparo:
Em um bowl despedaçar o fermento, acrescentar 2 colheres de sopa de farinha e o açúcar, cobrir com água morna e deixar descansar por uns 10 minutos, até que se forme uma esponja.
Em outro bowl grande colocar o resto da farinha e o sal. Formar um buraco no centro e incorporar a mistura do fermento e a água. Amassar BEM durante 10 minutos. Fazer um bolo grande, cobrir com um pano úmido e deixar repousar até que dobre de tamanho (cerca de 1 hora).
Amassar e dar forma a focaccia, fazendo os furinhos com as pontas dos dedos. Colocar numa assadeira untada com azeite. Espalhar azeite na parte de cima e deixar descansar por mais alguns minutos. Cozinhar em forno médio já pré-aquecido por cerca de meia hora.

Desconstrução

Essa tal desconstrução tem aparecido aos montes sempre que há ausência de capacidade ou vontade de se construir algo novo. O pior é que  aparece disfarçada de criatividade e  com pretensão vanguardista. Aquele chef que inventou isso foi muito esperto e realmente inovador, mas depois outros começaram a imitar, o tempo passou e a desconstrução virou piada. Tanto que o próprio Adriá resolveu se desconstruir, anunciando que vai fechar seu restaurante por algum tempo para repensar sua arte.
Hoje em dia quando um chef não quer quebrar a cabeça para invertar coisas novas tira logo essa carta da manga e ainda se pega de gênio criativo. Já fizeram desconstrução de tudo que se possa imaginar, de alfajor a moqueca de camarão. Agora, pensa bem, qual é o sentido de receber um prato com 4 ou 5 elementos separados mas que devem ser comidos juntos para que você entenda o que está comendo? Por outro lado, como eu também não gosto de levar tudo tão a sério, até acho bom que tenha esse tipo de coisa por aí pra nos divertir!
No meio culinário muitos fazem graça com a desconstrução alheia, descobri  porém, que fora dele ninguém entende a piada. No último jantar resolvi mudar a apresentação do meu cheesecake e todos gostaram. Só que enquanto a sobremesa era servida brinquei que aquilo era um cheesecake desconstruído e me arrependi. Depois de perceber que  muitos não entendiam o que eu estava falando só me restou rezar para que os que entenderam não tenham me levado a sério!  Imagina a pretensão! Só mudei o formato porque achei que ficaria prática para servir e comer, bonita e acima de tudo ainda mais saborosa com a inclusão das frutas vermelhas. Realmente tudo muito sério. Piada mesmo seria servir um creme feito com creamcheese de um lado, uma gemada de outro e na outra extremidade do prato um sorbet de limão com calda de framboesa. Ih, já dei idéia para os chefs suuuper inovadores de plantão!